desordem



























04/11/2004 12:30

O texto abaixo eu tinha feito a alguns dias, antes de saber o resultado das eleições nos Estados Unidos da América, é um breve comentário sobre o filme Fahrenheit 11 de Setembro. Confesso que ainda esperava uma mudança de quadro por lá, mas já foi. Na verdade não ia mudar tanto assim o fato de terem eleito John Kerry, pois o sistema ia continuar sendo o mesmo, talvez o que mudaria o foco da brutalidade e exploração, mas a merda em si seria a mesma.


Michael Moore incendeia, mas nem tanto

Allan Cavalcante

Já na cerimônia de premiação da academia de cinema americano, o Oscar, o cineasta estadunidense Michael Moore, então premiado com um de seus documentários (Tiros em Colombine), dava indícios da bomba que estava preste a estourar: “vivemos em tempos fictícios, em que resultados eleitorais fictícios elegem um presidente fictício, que nos manda pra uma guerra por razões fictícias”. Meses depois o documentário “Fahrenheit 11 de setembro” é lançado.

Com uma linguagem irônica e questionando todas as entrelinhas (ou grandes lacunas) deixadas pelos argumentos da tal guerra contra o terror, o documentário foi colocado ao público, de forma estratégica, perto das eleições norte americanas, mas nem por isso deixa de ser útil para a reflexão. A primeira ferida aberta a ser tocada diz respeito ainda às eleições de 2000, quando a questão da fraude no pleito veio à tona e foi rapidamente abafado pela grande mídia Ianque. Porém mais que isso Michael Moore vai buscar a raiz do problema na forte ligação que George W. Bush tem com grandes empresários do mundo árabe, por conta do petróleo, e entre esses alguns familiares de... Osama bin Laden.

O apoio à guerra, a manipulação da mídia, o crédito às palavras de Bush, o forte sentimento de patriotismo, todo o American Way of Life é respondido na forma de um grande tapa na cara metafórico: os americanos mortos nas guerras, as mentiras agora reveladas, o descrédito na mídia (causada por ela própria), o medo constante e a desilusão para com a grande nação; sem falar em toda a destruição que eles causaram aos civis inocentes dos países invadidos, e no descompromisso e falsidade dos eleitos para os cargos de legisladores nas assembléias americanas.

Até que ponto todas os fatos mostrados no documentário vieram a afetar a consciência do cidadão americano do norte, e de que forma o filme veio a influenciar na decisão do pleito para o novo mandatário da grande nação ainda não se sabe – a julgar pelas pesquisas de intenção de voto pode-se adiantar que grande parte dos americanos ainda continua ignorante e prepotente, cada vez mais com a cara de babaca de Britney Spears: eu acredito em Bush, por isso, viva Bush.

enviada por heresia






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