desordem



























27/11/2004 20:41

O texto que segue eu fiz pra a disciplina Laboratório de Imagem, e ele está fazendo parte de uma exposição de fotografia que vai até o dia 30 de Novembro, no COS/Ufal. É uma breve análise de sociedade e cultura do Brasil nos anos 70. É isso, hasta luego!


Anos 70: de chumbos e cacetetes à
resistência contra o autoritarismo

Allan Cavalcante

A década de 70 começou aparentemente alegre e sorridente no Brasil: a seleção conseguia o tri-campeonato mundial de futebol, no México. O patriotismo estava em alta, principalmente naqueles que não sabiam o que significa ser patriota e nem observavam o que acontecia ao seu redor. Os anos posteriores tiveram como herança a repressão política, por parte da ditadura militar iniciada em 1964 no Brasil, fenômeno comum em toda América Latina.

O bordão autoritário “Brasil: ame-o ou deixe-o” pode resumir bem o que eram os órgãos ditatoriais, jogando um suposto erro nas pessoas que se rebelavam contra a repressão, tentando se isentar da culpa na paralisação nacional. Para completar o quadro de imensa covardia, os militares trataram de cuidar das informações que poderiam ser passadas ao povo através da imprensa, criando leis de censura e tomando as concessões de quem se colocava contra as idéias militares. A Rede Globo (que conseguiu sua concessão [de forma ilegal] no governo militar), e o presidente da organização, Roberto Marinho, também foram fundamentais na dobragem ideológica contra àqueles que batiam de frente com a ordem vigente, através de suas novelas e telejornais com informações unilaterais.

Em outra mão, a imprensa alternativa teve um certo crescimento, sobretudo nos anos 70, meios como o Pasquim, Opinião, Versus, Bondinho, entre outros, ganharam credibilidade, e em muito incomodava aos militares. Dentro dos próprios grandes meios havia enfrentamento de alguns jornalistas, a exemplo de Wladimir Herzog, da TV Cultura, que acabou assassinado por se opor ao regime, se tornando um dos símbolos do jornalismo ético e com compromisso social no Brasil. Além disso, os movimentos sociais, sindicais e estudantis (mesmo com a Une extinta) não deixavam a luta de lado, apesar do constante clima de ameaças em que viviam.

Não há como falar dos “anos de chumbo” no Brasil sem citar compositores como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes e os que vieram já nos anos 70, como Secos & Molhados e Raul Seixas. Além de travarem verdadeiras batalhas contra a censura, a repressão e pela liberdade, esses artistas serviam de contraponto à cultura alienada e alienante de Wando e Roberto Carlos, os mais populares e bem vistos pelos militares e pela mídia comercial. Boa parte dos artistas que se opunham aos governantes fardados chegaram a ser exilado em outros países, mas nem por isso eram calados, pois sempre criavam uma forma e linguagem própria para continuar se manifestando contra os “podres poderes” e as “tenebrosas transações” dos milicos. A contracultura também era expressa pelo teatro, cinema e literatura, que mesmo perseguidas mantinham um caráter de luta.

Ninguém responde hoje pela imensa lista de mortos desaparecidos do Oiapoque ao Chui, do Araguaia, das escolas e universidades. Mas vale a pena evidenciar as bravas atitudes daqueles que eram inconformados com o sistema repressor, e trazer a tona, de forma crítica, resíduos desse sistema que conseguia - a cada choque elétrico, pau-de-arara ou enforcamento - levar todo o país pra dentro dos porões de sua ditadura.


FONTES:

Brasil: Nunca Mais
Ed. Vozes
6ª edição
Petrópolis/1985

Retrato do Brasil
Ed. Política
Volumes I e II
São Paulo/1984

Brazil: Beyond Citizen Kane
Channel Four Ltda
Londres/1983

enviada por heresia



04/11/2004 12:30

O texto abaixo eu tinha feito a alguns dias, antes de saber o resultado das eleições nos Estados Unidos da América, é um breve comentário sobre o filme Fahrenheit 11 de Setembro. Confesso que ainda esperava uma mudança de quadro por lá, mas já foi. Na verdade não ia mudar tanto assim o fato de terem eleito John Kerry, pois o sistema ia continuar sendo o mesmo, talvez o que mudaria o foco da brutalidade e exploração, mas a merda em si seria a mesma.


Michael Moore incendeia, mas nem tanto

Allan Cavalcante

Já na cerimônia de premiação da academia de cinema americano, o Oscar, o cineasta estadunidense Michael Moore, então premiado com um de seus documentários (Tiros em Colombine), dava indícios da bomba que estava preste a estourar: “vivemos em tempos fictícios, em que resultados eleitorais fictícios elegem um presidente fictício, que nos manda pra uma guerra por razões fictícias”. Meses depois o documentário “Fahrenheit 11 de setembro” é lançado.

Com uma linguagem irônica e questionando todas as entrelinhas (ou grandes lacunas) deixadas pelos argumentos da tal guerra contra o terror, o documentário foi colocado ao público, de forma estratégica, perto das eleições norte americanas, mas nem por isso deixa de ser útil para a reflexão. A primeira ferida aberta a ser tocada diz respeito ainda às eleições de 2000, quando a questão da fraude no pleito veio à tona e foi rapidamente abafado pela grande mídia Ianque. Porém mais que isso Michael Moore vai buscar a raiz do problema na forte ligação que George W. Bush tem com grandes empresários do mundo árabe, por conta do petróleo, e entre esses alguns familiares de... Osama bin Laden.

O apoio à guerra, a manipulação da mídia, o crédito às palavras de Bush, o forte sentimento de patriotismo, todo o American Way of Life é respondido na forma de um grande tapa na cara metafórico: os americanos mortos nas guerras, as mentiras agora reveladas, o descrédito na mídia (causada por ela própria), o medo constante e a desilusão para com a grande nação; sem falar em toda a destruição que eles causaram aos civis inocentes dos países invadidos, e no descompromisso e falsidade dos eleitos para os cargos de legisladores nas assembléias americanas.

Até que ponto todas os fatos mostrados no documentário vieram a afetar a consciência do cidadão americano do norte, e de que forma o filme veio a influenciar na decisão do pleito para o novo mandatário da grande nação ainda não se sabe – a julgar pelas pesquisas de intenção de voto pode-se adiantar que grande parte dos americanos ainda continua ignorante e prepotente, cada vez mais com a cara de babaca de Britney Spears: eu acredito em Bush, por isso, viva Bush.

enviada por heresia



27/10/2004 21:20

Só um detalhe, que eu esqueci de comentar no primeiro momento, esse texto eu fiz pra matéria Radiojornalismo, em que o professor pediu pra que cada aluno fizesse algo relacionado às eleições municipais. Ainda esqueci de citar várias coisas, tanto da eleição em si, quanto de cada um dos candidatos; mas substituo tudo o que poderia falar por um breve, e sábio, conselho: VOTE NULO!!!


SOBRE TUDO QUE JÁ ACONTECEU EM OUTRO MOMENTO

Allan Cavalcante

Não precisa nem ser um grande especialista em política e/ou afins pra perceber o quanto uma eleição é fundada em mentira, baixaria, falsidade e demagogia. O que fica claro, e cada vez mais tem sido assim, é que o tal processo democrático não tem nada de democrático, e para o povo o que sobra são as farpas mais sujas das brigas entre os políticos. O pior de tudo é que esta situação já não é novidade pra ninguém, há séculos atrás toda essa imundice foi colocada em cheque “distribuir-se-á adulação, mentira – e tudo permanecerá como antes”, já dizia o velho russo Kropotkin.

Além da obrigação de ter que perder algumas horas do dia pra votar, os maceioenses tinham várias opções, seis delas no mesmo nível de picaretagem e um candidato que entrou na briga não para vencer, segundo as idéias de seu partido, mas apenas para denunciar (de modo muito fingido, diga-se de passagem) a farsa eleitoral. Desses seis, quatro já ficaram no primeiro turno: o prefeito do coração dos senadores, o prefeito amado pela senadora, e os dois laranjas – o pastor que desistiu de última hora, e o republicano sem notoriedade. Os grandes vencedores dessa primeira etapa foram os apoiados pelos corruptos atuais, e o outro amarrado aos que dominavam a cena política há não muito tempo.

Nome aos bois: o candidato apoiado pelos que estão no poder atualmente chama-se Alberto Sexta Feira, suspeito de “tenebrosas transações” na época que foi diretor do CEFET, tem, por baixo dos panos, utilizado a máquina da prefeitura de Maceió e do governo do estado para forçar os funcionários a votar nele, pelo risco destes perderem o emprego; ele ainda tem o apoio do Partido dos Trabalhadores, do atual presidente da república brasileira, que agora que “chegou lá” mostrou sua verdadeira face. O outro é o comunicador, nada social, Cícero Almeida, apoiado por partidos que tradicionalmente toma decisões hostis ao povo e pelo setor sucro-alcooleiro alagoano, que bastando estudar um pouco de história podemos tirar conclusão do que são.

Por isso mesmo não é nada difícil prever a situação na capital do estado no período pós-eleição, até porque nunca foi diferente em outros tempos – um povo de olhos vedados e entusiasmado, a esperança indo por água abaixo a partir das ações do novo mandatário, e sorrisos amarelos, apaixonados e alienados daqui a mais quatro anos, quando o povo poderá mais uma vez “exercer sua cidadania”.

enviada por heresia



19/09/2004 02:22

Tá Pronto. Escolhi esse template, pois nenhum poderia dizer melhor o que é o blig, o ig etc. A vontade que eu tinha mesmo era de pegar todos os meus posts e colocar de um por um em outro servidor, e sair de vez dessa merda aqui.

To chateado com algumas coisas, mas apesar de ser algo que eu levo a sério vou tentar deixar pra lá. Enquanto isso vou só esperar a resultado do concurso do TRE uahuhauah Vou ajudar na democracia burguesa pelo resto de minha fútil vida.

Depois escrevo algo útil. Falou!

enviada por heresia



31/08/2004 02:38

Informo às pessoas que passam por aqui pelo meu blog que daqui a alguns dias, quando tiver tempo e paciência, estarei mudando o template, por conta da palhaçada da IG em bloquear a entrada nas configurações por html das pessoas que não pagam pelo 'blig turbo'.

Outra modificação necessária será a retirada e mudança nos endereços dos 'blig amigos', pois na maior parte da minha lista de link o blog já nem existe mais! Essa será até mais complicada do que a outra, visto que o blig só permite linkar blogs do IG, e grande parte dos blogs que leio não são desta.

Terei saudades do meu template.
Foda-se o blig!

Falou, abraços.

enviada por heresia






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